Influência arquitetônica polonesa é resgatada em construção de casa na chácara

Construção no interior do município reúne influências da arquitetura polonesa tradicional, aliada a características praticadas pelos colonos poloneses no sul do Paraná. (Fotos: Levante Fotografia)

Uma das cidades com a cultura polonesa mais expressiva no Brasil, São Mateus do Sul conserva em sua arquitetura local elementos que remetem diretamente à chegada dos colonos poloneses por aqui.

Casas construídas em madeira, com telhado de alta inclinação, uso de sarrafos nas paredes e a constante presença de lambrequins (recortes detalhados em madeira, usados para decoração em beirais) são elementos reconhecidos como característicos da nossa região.


Mesmo as residências de famílias que não tinham origem polonesa acabavam seguindo o mesmo estilo, já que muitas vezes eram feitas pelas mãos de carpinteiros descendentes desses imigrantes.


A vivência neste ambiente, aliada ao amor pela cultura e pelas paisagens polonesas, fizeram com que o casal Evaldo e Ozilda Drabeski sonhasse em construir uma casa de chácara com essas influências. Uma forma também de valorizar a cultura tão presente no município.

“Eu tinha ideia de fazer uma casa com sótão, porque me criei numa casa assim. Na casa dos meus pais, tinha um quarto na parte de baixo e o restante era no sótão. Era sempre uma disputa para ver quem ficava no quarto de baixo. Quando ia para a casa da vó, também acabava dormindo nos quartos de cima. Então, esse estilo de casa traz boas lembranças”, comenta Evaldo.

A visita ao país europeu possibilitou ver de perto o estilo arquitetônico desenvolvido nas áreas rurais de lá. “Quando eu conheci Zakopane [região montanhesa localizada no sul da Polônia], decidi que queria um chalé polonês para mim. Demorasse o tempo que fosse. No fim, a obra saiu melhor que o imaginado”, destaca Ozilda.

Colocar esse sonho no papel foi tarefa do arquiteto Rafael Guimarães de Lima, que buscou mesclar a arquitetura histórica da Polônia com o modelo desenvolvido por colonos poloneses no Brasil.


O estilo do projeto seguiu construções das regiões de Rzeszów e Lublin, que Rafael conheceu durante viagem. Para valorizar a cultura são-mateuense, foram utilizados sarrafos nas paredes, segundo piso semelhante aos sótãos das antigas casas e lambrequins, que ficaram no imaginário popular como característica da presença polonesa no Paraná. Estes quase ficaram de fora do projeto, uma vez que a atividade, essencialmente manual e bastante trabalhosa, é cada vez menos comum. Entretanto, a tradição se mantém viva pelas mãos de seu Amair, que reside na Vila Amaral e continua fabricando lambrequins de variados modelos.


O material da construção foi adequado à realidade local, optando por um misto entre alvenaria, no primeiro piso, e madeira, proveniente de árvores da região. “Esta adaptação é também uma questão de sustentabilidade”, explica Rafael. “Foi um trabalho muito gratificante e que envolveu bastante carinho, especialmente por conhecer os proprietários e saber que a busca pelo resgate da cultura polonesa não é recente”.


Com influência estética tradicional, mas com funcionalidade contemporânea, a casa se mostra uma integração entre diferentes momentos arquitetônicos. Para Rafael, isso pode inclusive reacender o desejo de preservação da arquitetura típica em outras pessoas. “Por mais que haja evolução, uma arquitetura boa é sempre boa. Então, não tem porque esquecermos do que foi feito no passado”, destaca.

O toque especial fica por conta da vegetação com espécies nativas ao redor da casa. A localização da casa foi escolhida de modo a não danificar a mata existente. “A paisagem emoldurou bem a edificação”, avalia Rafael.


A casa, localizada no Espigãozinho, foi concluída no final de 2016 com trabalho de Carlos Poncheki e Tito Karpinski. A aprovação entre amigos e familiares foi total. “O pessoal elogia muito. As fotos nas redes sociais sempre têm muitas curtidas. É muito importante que continuem essas características tão tradicionais”, comenta Evaldo.

Incentivo a construções do estilo polonês

Com objetivo de valorizar e preservar o estilo arquitetônico local, desde 2003 a prefeitura concede incentivos a construções no estilo polonês.

A lei nº 1.489/03 prevê incentivos fiscais a construções em “estilo arquitetônico que contém elementos básicos, como lambrequins, janelas em madeiras com quadros quadriculados, paredes externas ou detalhes em tábuas verticais com matajunta [ou sarrafo]e inclinações de telhado com percentual que varia de 35 a 100%”.

A criação desta lei foi resultado do trabalho desenvolvido como uma das ações do Desenvolvimento Tecnológico Regional, buscando fortalecer o turismo em São Mateus do Sul.

(Texto originalmente publicado na Gazeta Informartiva – link aqui)

Autora: Larissa Drabeski

Jornalista com MBA em Administração e Marketing, é cofundadora da empresa Levante – Fotografia e Comunicação, que oferece serviços diversos de marketing e comunicação empresarial. Contato: larissadrabeski@gmail.com

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